domingo, 27 de julho de 2014

Naquelas tardes de domingo...

Tardes como essa me fazem lembras as nossas, em que ficávamos agarrados numa cama de solteiro, num quarto pequeno, fazendo planos grandes. Naquelas tardes de domingo, tua coxa enrolava na minha, dividíamos um mesmo travesseiro e ríamos das nossas próprias besteiras e do resto do mundo. Ainda lembro do cheiro do teu travesseiro que tanto me fazia reclamar, da bagunça que você fazia no lençol, de perder parte das minhas roupas por entre a cama e da leve batidinha na porta quando nos empolgávamos um pouco. Nesses domingos tinha pizza depois do amor e infinitas juras antes de partir...
Tanta coisa mudou desde que você se foi. Não posso reclamar. Tudo está melhor. Ganho mais dinheiro, estou mais leve, mais livre, mais bonita. É o que todos dizem. A impressão de ter caído de um barranco em direção a um buraco fundo foi só impressão mesmo, porque nem posso calcular quantos passos a minha vida deu pra frente depois que você se foi. Às vezes paro e penso que não seria assim se você ainda estivesse aqui. Sua opinião era muito importante pra mim e por diversas vezes me via caminhando por essa vida com suas pernas.
Sou outra mulher. Sou, de fato, uma mulher. Devo isso a você, também. Ainda sou branca, mas hoje, sou loira. Sou boa nas coisas que
faço e quando não, finjo ser e finjo muito bem. Ganho muito mais do que você aos trinta e poucos. Em seis meses minha vida profissional saltou. E tem muito mais por vir. Em tardes como essa me pego pensando o quanto você foi burro e colocou tudo a perder. Nosso apartamento estava mais perto do que você imagina, nossa vida, nosso vinho, nossas rolhas...mas você...nunca existiu, não é?
Penso que você foi um vulto. Um personagem, um amor. Te amei tanto, tanto...e encaro como se esse meu amor, você...tivesse morrido. Você morreu. Meu peito aperta de saudade inevitavelmente. O sentimento me pega de surpresa. Mas só tenho certeza que a morte realmente existiu para nós quando, sem querer, te vejo na rua, de longe, numa foto, de ouvir de falar...porque esse, de agora...não é, e nunca foi meu amor. Eu jamais me apaixonaria por alguém como você é hoje. Não há nada que me encante, nem na fisionomia. Volto a sentir saudade do meu...ele era especial, diferente. Pena que era de mentira...
Tenho homens lindos. Um por dia se eu quiser, ou mais. São ricos, me tratam como uma rainha. Eu gosto, você sabe. Mas sem querer ainda me pego pensando nas nossas tardes de domingo, quando pouco era tudo e era bom. Mas você não entenderia, nunca viveu isso. Só ele...ele viveu comigo. E se foi...

Mas, conheci uma pessoa. Que me encanta tanto quanto aquele me encantou. Meu coração tem batido tão forte e aos poucos minhas tardes de domingo estão preenchidas com calor, fogo. O quarto é grande, a cama é enorme e mesmo assim às vezes fica pequena para nós....eu gosto e queria te contar que estou feliz, mesmo assim, sem demonstrar...

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